Segunda-feira, Maio 12, 2008

Novo Endereço

Mudar de ares?
Pode ser.

O fato é que eu ando meio cansada do Soul Poison. Acho que canso de tudo o que me cativa e passa a fazer parte da minha vida, se isso não for meio cruel de se dizer.
Então ele foi trocado. Talvez dê uma semana e eu volte, é claro, mas creio que vá durar ao menos por uns tempos.

Agora vocês me encontram no isacecatto.blogspot.com.
Boa noite =)

Publicado por Isadora em 7:52 PM
Sábado, Abril 12, 2008

Sobre razão e fé
ou Em cima do muro

Coisa louca isso que acompanha toda a história da humanidade. Essa guerra de dois lados, ambos certos de que a verdade está consigo. Ciência e religião. Psiquiatria e fé. Loucura e mediunidade.

Assistindo à reportagem de hoje do Globo Repórter, que tratou de temas relativos à espiritismo – embora o nome da religião não tenha sido citado claramente – e dons sobrenaturais, com entrevistas incríveis mostrando a história de pessoas que vivenciaram e que ainda vivenciam esse tipo de situação que a ciência não explica, pensei um pouco sobre essa discussão atemporal sem previsão de término.
De um lado, os que crêem na tecnologia e nas pesquisas como a melhor forma de descobrir as verdades sobre a vida e o ser humano. Do outro, as tantas crenças religiosas do mundo, sem bases experimentais pra comprovar que o caminho considerado por eles válido é sensato e verdadeiro.

Me encontro em cima do muro. Como espírita, vejo no sobrenatural respostas de veracidade indiscutível, não necessitando de uma fórmula ou experimento aprovado cientificamente pra saber que a explicação da religião – a qual eu considero até mesmo uma ciência – a cerca da criação do mundo e da vida após a morte é real. As explicações se complementam, não ouço pessoas me obrigando a crer em absurdos e as palavras dos médiuns não me parecem menos que puramente sinceras e verdadeiras. Dentro de mim, carrego a certeza inexplicável de que há algo depois dessa vida, baseada na crença de que não é por acaso que estamos onde estamos na situação em que nos encontramos. E ninguém vai me convencer do absurdo de que ser adepta de uma crença sem comprovações é ignorância: as provas de que eu preciso, sempre tive. O bem que as palestras espíritas fazem à quem as freqüenta, os temas por elas abordados e a forma doce como nos levam a crer que toda dor tem um sentido e pode ser amenizada; o jeito lindo com que nos é mostrado que a evolução se dá, sim, por escolhas que fazemos antes de nascer, não deixando margem às reclamações desvairadas dos que se consideram injustiçados pela vida e por Deus; a maneira absurdamente clara com que a teoria da reencarnação vai de encontro ao sentido de toda injustiça, dor e desigualdade no mundo; tudo isso me basta pra que eu acate a teoria espírita como minha forma de vida sem pestanejar ou duvidar de sua veracidade. Isso faz de mim ignorante ou um ser manipulado e enganado?

Quando digo estar em cima do muro, o motivo é só um: apesar de todo o citado, não descarto a medicina, a ciência e os avanços de ambas. Sou a favor da célula tronco, não vejo nada de inaceitável nas pesquisas genéticas e certamente recomendo o uso de camisinha na atividade sexual. Uso vestido curto e maquiagem, dou certo valor ao material e não condeno um ateu que tenha boa conduta e pratique o bem.
A diferença entre religião e fundamentalismo é gritante, e as pessoas acabam por esquecer desse fato e generalizar todo e qualquer cristão que encontram por aí. Existem os que se precipitam e seguem à risca um documento duvidoso que foi escrito há milhares de ano? Sei que sim. Mas não há só a Bíblia Sagrada dos católicos, não. E mesmo os que nela crêem, não são necessariamente fanáticos religiosos que não toleram evolução e progresso benéficos.

Um consenso entre ciência e religião, é nisso que eu acredito. Evolução sem Deus é um caminho sem volta, e Deus sem progresso científico é pré-história dispensável. Nenhum estudo celular ou descoberta de alguma cura se faz suficiente sem a certeza de que existe alguém regendo toda essa loucura que é o mundo e suas dores e belezas. Assim como, sem dúvidas, nenhuma fé traz a sobrevivência por si só no caso de uma doença grave. É fato: um lado precisa do outro. Nessa guerra sem sentido, nosso erro é confundir inimigo com o melhor aliado que poderíamos ter imaginado. Assim como a religião não consegue as provas pelas quais os especialistas tanto clamam, a ciência ainda não tem respostas às perguntas que a humanidade sempre fez.

Por quê motivo se ignoram ou odeiam? Qual o medo que o cientista tem de não ser responsável pela roda vida que é a vida? Que resistência ignorante é essa que os religiosos irracionais adquirem pra se manterem distantes de evoluções que podem mudar vidas e evitar tragédias? Ninguém enxerga que há um limite na ciência e uma intolerância cega na religião?

Unam-se, portanto! As duas maiores forças da história da humanidade, juntas, fariam verdadeiros milagres. A precisão e o progresso da ciência, se unidos ao conforto e à paz da religião sem cegueira, transformariam caos em evolução constante.
Mas embora deseje, reconheço: isso está longe de acontecer. Ceder seria, para ambos, admitir uma fraqueza e uma falha naquilo que sempre defenderam. Eu só não consegui compreender ainda o que há de tão mal em fazê-lo.



“Se vocês acreditam em Deus ou não - disse o camerlengo, a voz mais grave e carregada de deliberação -, têm de acreditar nisso: quando nós, como espécie, abandonamos a confiança em um poder maior do que nós, abandonamos também nossa noção da obrigatoriedade de prestar contas. A fé, todas as formas de fé, são advertências de que existe algo que não podemos compreender, algo a que temos de responder. Com fé, prestamos contas uns aos outros, a nós mesmos e a uma verdade maior. A religião é falha, mas só porque o homem é falho. Se o mundo exterior pudesse ver esta igreja como eu vejo, além do ritual de dentro dessas paredes, veria um milagre moderno, uma fraternidade de almas imperfeitas e simples, querendo apenas ser uma voz de compaixão em um mundo do qual se está perdendo o controle.”

"Mostrem-nos uma prova da existência de Deus, dizem vocês. E eu respondo, usem seus telescópios para olhar o céu e me digam como é possível não haver um Deus! - O camerlengo tinha lágrimas nos olhos. - Vocês perguntam com que Deus se parece, e eu, por minha vez, pergunto também: de onde vem essa pergunta? A resposta é uma só, a resposta é a mesma. Não vêem Deus em sua ciência? Como podem deixar de vê-Lo! Vocês proclamam que a menor alteração na força da gravidade ou no peso de um átomo teria convertido nosso universo em uma névoa sem vida em vez do magnífico mar de corpos celestes que contemplamos, e ainda assim deixam de ver a mão de Deus nisso?"

- Trechos de Anjos e Demônios, do autor Dan Brown.

Publicado por Isadora em 1:00 AM
Quarta-feira, Abril 09, 2008

Sem título

É irônico que a gripe não só nos tire a força de andar com as pernas, como também ajude a enfraquecer todo o resto que andava mais equilibrado, por assim dizer.
E chega dessa mania de achar que quanto mais palavras uso, mais do que se passa aqui dentro eu transmito. Ao menos por hoje.
Que seja só essa febre, pelo amor de Deus.

Quarta-feira, 9 de abril de 2008, 21h57min.

Publicado por Isadora em 9:56 PM
Segunda-feira, Março 17, 2008

Do rotineiro ao inaceitável
ou Conformação não é comigo

Ligo a televisão depois de uma tarde de Química e História e, pra variar, o jornal não traz nada muito animador. Além das notícias habituais sobre os escândalos já rotineiros da política brasileira, surgem as eventuais e cada vez mais freqüentes matérias sobre violência e atrocidade no país. Há um tempo não escrevo sobre o assunto, mas minha indignação hoje atingiu limites que não me deixaram outra escolha senão demonstrá-la.

Com freqüência me pergunto como podem haver diferenças tão gritantes entre um e outro ser humano desse mundo. Sem abordar questões muito existenciais, considero alarmante a existência de pessoas que sentem prazer na tortura e agressão cruel, de um semelhante ou não.

A dor física não é um mau restrito à determinada classe ou raça. Todo mundo já se machucou quando criança e muito provavelmente sofreu lesão mais séria que um simples arranhão durante uma brincadeira, aprendendo desde sempre que não é agradável sentir dor, seja ela qual for. E o que leva, então, uma empresária a torturar covardemente uma criança de doze anos por pura e simplesmente sentir prazer em fazê-lo? E que prazer é esse, desumano e inconcebível, que beira a loucura e a insanidade e assola o país e o mundo a cada dia mais e mais? Não por fragilidade, mas por humanidade inata, me dá um nó na garganta ouvir uma criança contar que um alicate lhe foi apertado na língua e vê-la amarrada por correntes a uma janela daquele que devia ser o seu lar. Tive uma infância alegre e doce, com bonecas e comidas gostosas, além de pais que me amaram e ensinaram todos os valores que possuo, o que inclui o fato de que violência só leva ao caos. Ver uma menina na infância, como a criança que eu já fui um dia, sofrendo agressões físicas e indubitavelmente psicológicas o tempo todo no lugar onde vive, distante dos pais e crescendo sem as bases que todo ser humano merece e deve ter, me dá nojo e raiva. Mas não essa raiva que eu sempre senti da desigualdade no mundo, do fato de vivermos todos numa completa anarquia social e econômica no momento. Sinto raiva das pessoas que são capazes de cometer tais atrocidades, sendo tomada por uma incompreensão que eu tenho certeza de que nunca vai mudar.

Ninguém em sã consciência pode sorrir enquanto alguém agoniza de tanta dor. Não há explicação plausível nesse mundo pra todos esses acontecimentos que se sucedem e não param nunca, e ver os agressores sendo presos não tem sido suficiente pra mim. Como espírita, sou contra “pagar na mesma moeda”, “olho por olho, dente por dente”. Não clamo por troco ou castigo cruel, mas meu instinto sobrepõe-se à crença religiosa que rege minha conduta hoje. Consideram-se superiores? Vêem-se no direito de machucar os mais fracos quando bem entendem, sem motivo algum, por vontade e só?

A covardia iminente com que índios são queimados, crianças torturadas e idosos molestados no dia-a-dia do Brasil e do mundo – pra não citar o mau trato aos animais, assunto que merece uma reflexão especial e fica pra outra hora - não deve, de maneira alguma, ser tratada com comodidade e conformação. O fato de a violência ter se tornado banal não determina que tenhamos de nos acostumar a conviver com absurdos do tipo, sem saber se as próximas vítimas seremos nós ou o vizinho da frente. O que podemos fazer? Eu nunca disse que tinha a solução nas mãos. Todavia penso que começar com a falta de conformação é o primeiro passo. E isso vale pra todo o resto: corrupção, discriminação social e racial, deficiência em setores públicos e falta de investimento no que realmente importa... Seja lá qual for a barbaridade, a voz que deve ser ouvida é a nossa, e não a dos responsáveis por todo o problema. Que não mais se aceite a notícia de um linchamento com normalidade, desligando a TV e servindo o jantar. Que se escreva, fale e lute contra isso, nem que seja só pra unir uma corrente de indignação pelo mundo à fora, provando aos incrédulos que ainda há humanidade nesse mundo desumano. E aos que riem da causa, um aviso: a pré-história já se foi. Os direitos humanos, meus caros, por mais desimportantes que possam parecer a um jovem de classe média/alta cuja maior dor é provocada por uma queda causada por álcool depois de uma festa cara, ainda são cruciais pra mudança de que o mundo tanto anda precisando.

Meu consolo? Aqui se faz, aqui se paga. E que ninguém seja ingênuo de supôr que eu falo da Justiça do Brasil.


Segunda-feira, 17 de março de 2008, 22h41min.

Publicado por Isadora em 10:41 PM
Sexta-feira, Março 14, 2008

Todas aquelas ruas
ou Sem sacos de areia, enfim

E ela andava por aquelas ruas todas, por todas aquelas ruas, sentindo e sentindo e não sabendo o quê. Era estranho, ela pensava. Estranha a vida, estranha ela, que andava por todas aquelas ruas, por aquelas ruas todas, sentindo sem saber o quê. Porque num passe de mágicas, tudo o que sabia já não era. Sabia de uma dor que agora parecia extinta, de um ser o que se é que já nada de si tinha, enfim. E por não saber nada escolheu só andar, andar por aquelas ruas todas, por todas aquelas ruas, sentindo e sentindo, e não sabendo o quê.

Ela que tanto rezara, por Deus! Tanto rezara pela cura, pela chegada repentina do antídoto inexistente. Pra que essa dor cessasse, pra ser normal, só um pouquinho, só um pouquinho, meu Deus! Ser normal só um pouquinho, pra provar da vida assim, tão simples, tão inevitável. Pra só andar por aquelas ruas todas, por todas aquelas ruas, sentindo e sentindo e sequer querendo saber o quê.
E ela conseguiu. Se Deus existia em algum lugar, ele a tinha ouvido e atendido seu pedido. E talvez por isso ela já não gostasse de pensar em Deus: porque ele a tinha ouvido e atendido seu pedido. Seu pedido insano de se livrar do que ela era. Atendido, imagine!

E já não havia nela aquilo que sempre soube existir. Aquilo que ao mesmo tempo era e não era, que doía e trazia orgulho, tudo extinto ou escondido. Mas enquanto ela andava por aquelas ruas todas, por todas aquelas ruas, sentindo e sentindo e não sabendo o quê, soube que. Não soube nada, dessa vez. Porque tudo o que havia era andar, sem lágrima ou lindo sorriso, pelas ruas sem par, pelas calçadas sem sombra. E ao virar uma esquina, ela sabia, tudo voltava. Sempre em frente é que não se anda. Não ela. Restava então a sorte, essa desconhecida sem rosto que alguns chamam de destino. Ou o destino, esse inevitável sem corpo que chamamos de sorte. Serpentearia pelo labirinto à frente sem peso nem vazio, só ela, assim, sozinha e cansada de gente. E o que as esquinas trariam ela jogaria nas costas, feito um saco cheio de areia, e trataria de carregar, sempre em silêncio, sempre a andar. Porque tinha aprendido alguma coisa, enfim. Tinha aprendido que assim como a gente cansa de tudo o que sente, o que sentimos pode cansar da gente também. O saco de areia caía sozinho. Ela já não precisava escolher lugar pra deixá-lo no caminho.
Ela andava por todas aquelas ruas, por aquelas ruas todas, sentindo e sentindo sem saber o quê. E embora ainda assustasse às vezes, isso não perturbava mais.

Escrito em 14 de março de 2008.

Publicado por Isadora em 10:07 PM
Sexta-feira, Março 07, 2008

Epidemia
ou Crise de escritora de gaveta.

Ando fraquinha demais com as palavras. Sem mais essa de, durante uma aula chata, escrever uma obra-prima da depressão ou uma grande crítica política. Sem mais essa de mil textos por semana, sempre inovadores, sempre cheios de sentimento e poesia que sai sem querer.
É, eu ando fraquinha. Em cima do muro ainda, embora ninguém que leia isso aqui vá compreender, já que eu não publiquei coisa alguma a respeito antes.
Minha pasta de textos tem estado atulhada de crônicas não terminadas, poemas esquecidos, cartas fictícias das quais desisti na primeira linha. Não-publicáveis, eu classifico. Com direito a pasta individual, como se fossem, no futuro, ter alguma importância. E eu sei que não vão.

Sabe, escrever é mesmo engraçado. Você não sabe que é capaz até estar ali, frente a frente com a folha, segurando o lápis. Ou tocando os dedos no teclado, embora eu considere essa uma forma menos inspiradora - mas me rendo à tecnologia por praticidade, como agora.
Há muito eu não páro pra pensar no quanto as palavras fazem parte da minha vida. Desde pequena rodeada de histórias, começando nos gibis da Turma da Mônica e chegando nos livros mais incríveis que tive a sorte de encontrar. E eu devia falar de como isso mudou minha vida no que diz respeito à sentimentos e maturidade, mas penso que o mais importante dessa paixão seja o dom que ela me rendeu, do qual usufruo o tempo todo com orgulho. Escrever, me expressar, argumentar e mostrar quem eu sou - por mais que eu não saiba tudo sobre essa última parte.

É nessas horas que eu vejo o quanto o mundo pode ser justo, apesar de toda a injustiça - com um grave paradoxo aqui. Desenvolvi uma singularidade assustadora com o passar do tempo, me tornando alguém sem chão ou identidade fixa. Me tornando muitas. E não falo de falsidade ou máscaras, mas de um não conhecer a si mesma que de tão absurdo se tornou, por muito tempo, insuportável. De um ser o que se é e não aguentar isso por muito tempo, com toda a intensidade que a situação pode trazer. Mas um presente me foi dado, trazendo consigo um alívio. E uma dor, também. Mais uma pra coleção que a vida traz aos poucos.

Escrever tem sido meu remédio, mas também meu maior pesadelo. Porque quem escreve é porque lê, e quem lê é porque quer saber. E quem quer saber sabe, só sabe, assim, e ponto. Sabe que a coisa tá feia, que o buraco é mais embaixo, que o fim é só o começo. Sabe de tudo o que dói, lateja e esmaga, do jeito cru que a coisa é. Não tem saída ou jeito de esquecer, mesmo que se queira. É só saber, assim, e ponto.
E eu li, soube e gostei. Gostei do que aprendi e vi, dos lugares pra onde viajei, de tudo o que fui e deixei de ser no caminho. Porque ler é ser, é moldar, é mudar. É ter não só novas palavras a cada página, como também bagagens que acrescentam à alma. E fardos, também; mas esses ficam pra quando eu voltar à verdadeira Isa, com a melancolia e as metáforas nas costas. Hoje é só bagagem, meu bem. Bagagem sem corpo.

E o que eu desejo é uma epidemia. Um surto repentino que se alastre pelo mundo como fizeram as piores doenças de todas as épocas, atacando de surpresa sem nunca mais ir embora. Uma doença sem vacina, sem cura ou tratamento, dessas que só existem, assim, e ponto. Transmitida pelo vírus da leitura, eu quero a epidemia da escrita. Quero as vozes no papel, indignadas ou conformadas, deslumbradas com a beleza da vida ou afundadas na melancolia dos que não sossegam. Quero todos vendo o que eu vi, sentindo o que eu senti, desejando mais e mais, como eu fiz. Todos sofrendo do meu mal, esse que é meu maior bem.

Um mundo doente, é o que eu quero. Quem sabe assim eu me sinta em casa, enfim. Pela primeira vez.


Quinta-feira, 6 de março de 2008, 00h00min



"O processo de escrever é feito de erros ─ a maioria essenciais ─ de coragem e preguiça, desespero e esperança, de vegetativa atenção, de sentimento constante (não pensamento) que não conduz a nada, não conduz a nada e de repente aquilo que se pensou que era ”nada” era o próprio assustador contato com a tessitura de viver ─ e esse instante de reconhecimento, de mergulhar anônimo na tessitura anônima, esse instante de reconhecimento (igual a uma revelação) precisa ser recebido com a maior inocência, com a inocência de que se é feito. O processo de escrever é difícil? Mas é como chamar de difícil o modo extremamente caprichoso e natural como uma flor é feita"
Clarice Lispector, pelo tanto que fez por mim.

Publicado por Isadora em 12:19 AM
Terça-feira, Janeiro 08, 2008

Mesmo que.

Em algum ponto da minha vida eu perdi a capacidade de suportar ser eu mesma. Não sei se ainda a mesma pessoa de dez anos atrás, uma criança com bonecas e filmes da Disney, ou se eu mudei de um jeito brusco em algum momento. “Tem um bicho em baixo da cama, mamãe”. Tem um bicho dentro de mim.
E como eu tenho odiado essa poesia que sai por conta própria dos meus dedos, em tudo o que eu escrevo. O tom de cada palavra parece desafinado, não tem nada a ver com o que eu sinto ou penso sentir. Eu queria explicar que é aquela sensação de futilidade, de que tudo é um clichê idiota. De se sentir patética por ter posto um ponto final antes dessa frase. Mas sei lá, ainda não é isso que eu preciso escrever. E eu ando cansada de falar de algumas coisas sobre as quais eu sempre falo, sendo essa uma delas.
Uns quinze minutos, talvez meia hora. Um primo sem noção me negando meu próprio computador quando eu mais precisava desse teclado, enquanto eu sentava, estática, na sala ao lado. E cada movimento parecia enorme, cada suspiro, cada piscar de olhos. Um peso gigante que eu nunca sentira. E agora seria hora de pontuar esse texto com mais uma anotação sobre o fato de eu saber que isso ta sendo patético, mas eu prefiro continuar sem esse tipo de lembrete a partir daqui.
É assustador como tudo dói, pra mim. Olhar pra trás, sorrir, deixar que as lágrimas escorram livremente... Cada ação um sacrifício, uma facada no íntimo. Meu passado me machuca, e não tem nada de feio ou terrível nele. É só que eu me sinto esmagada por tudo o que não é o agora. Estar na minha cidade natal é sufocante, mas ir embora dela é pior ainda. Chegar ao meu apartamento na cidade grande é alívio, mas me dá vontade de chorar. E então fiquei sentada por uns minutos sozinha depois de um filme qualquer, o que foi suficiente pra que eu fechasse os olhos e deixasse uma dor intensa tomar conta de cada milímetro do meu corpo, pressionando a cabeça, fazendo o peito tremer e os olhos arderem. Por que eu tenho tanto medo de ser alguém qualquer, alguém normal? Por que eu não aceito o convite do mesmo primo que atrasou tudo isso e levanto agora mesmo pra ir até a cozinha tomar um sorvete de creme? É tão difícil abandonar a Isadora melancólica que se martiriza com uma dor que sequer explicação tem?
Talvez eu tenha lido livros demais. Quem sabe eu errei na escolha quando preferi, há pouco menos de uma década, O menino do dedo verde no lugar de um livrinho da Barbie. De certo eu tenha mesmo que ler Meg Cabot em vez de Aldous Huxley ou Jostein Gaarder. Vai ver meu pai tava certo quando disse que eu devia ter ficado longe d’O Mundo de Sofia no ano passado, quando isso começou. Mas quando eu penso nisso, na possibilidade de agarrar Gossip Girl e me livrar de dois anos de crises estranhas tacando fogo numa gaveta cheia de manuscritos, eu sinto nojo da situação. Me dá vontade de vomitar só de pensar em trocar minhas horas de solidão sentada no chão de uma livraria por passar uma tarde provando sapatos e bolsas de verniz numa loja com cheiro de ar-condicionado. Quando eu me imagino ouvindo pagode enquanto discuto sobre quem desliga primeiro com meu namorado ao telefone, chacoalho a cabeça e fujo o mais rápido possível da cena. Eu queria não sentir essa dor que me acomete agora, mas não to disposta a jogar o que eu absorvi durante uma vida pro alto, não. Não to disposta a ser tudo aquilo que eu ao mesmo tempo condeno e invejo.
Tenho medo disso tudo. Agora mesmo, por exemplo, a voz exageradamente alta dos meus primos na cozinha me tira a vontade de escrever o que quer que seja. A tristeza dá lugar a uma raiva, dessas insanas que te faz desejar ter um controle remoto só pra baixar o volume ao redor e retornar à atividade de até então. E segundos depois a sensação volta, com o mesmo ímpeto e trazendo o mesmo gosto agridoce à boca.
Eu olho pro piano ao meu lado e sinto vontade de subir em cima dele, pisar com força nas teclas desalinhadas pelos anos de inutilidade. Acordar a todos e, quando a casa inteira estiver parada nessa sala mal iluminada, com aquela expressão que se divide entre medo e irritação, gritar bem alto um monte de coisas que eu só saberia dizer o que são se fizesse isso de verdade. Talvez gritar que eu queria só ir, só ir, só ir, bem longe, andar na rua agora, ir lá fora no asfalto e puxar meus cabelos com força de novo. Gritar em silêncio como eu fiz há algumas horas, colocando o ar pra fora como se o som estivesse mesmo saindo e só parando quando o fôlego desse adeus.
Ah, meu Deus, quando eu tinha sete anos eu sentava num quarto de prateleiras cor de madeira com uma queimadura de vela na segunda, bagunçando uma sacola de bonecas e, antes de dormir, folheando um livro chamado O tesouro das virtudes para crianças. Então eu chamava minha mãe com a desculpa de que tinha medo de dormir sozinha, e ela cantava pra mim. E de manhã eu acordava com um copo de leite morno e pãezinhos frescos, comia na cama e assistia televisão na sala até meu pai chegar. Eu lembro do barulho dos pés dele, o andar mais arrastado que eu conheço, e da chave que balançava pendurada na calça que ele usava. O cinto dava alergia, ele reclamava. E eu herdei a alergia do meu pai, meu Deus. E com ele eu assistia Pica-Pau e brigava porque não queria almoçar. Ele ia trabalhar, furioso, e minha mãe me trazia biscoitos escondido no lugar da comida, por sentir pena de mim. Porque nessa época a gente não brigava todos os dias como agora.
Cara, os dias se passavam de um jeito tão, mas tão leve, que eu não me surpreenderia se me dissessem que era outro planeta e que o universo explodiu e renasceu nesses últimos anos. Como alguém que chorava num show de Sandy e Júnior, brincava de Barbie e via a maior graça em assistir Criança Esperança com a “melhor amiga” num sábado qualquer, pode agora ver as coisas desse jeito escuro e sufocante, viver essa ciranda de sentimentos que matam aos poucos por dentro, dia após dia? Não é estranho que alguém que admirava a Eliana hoje se encontre retratada na obra de um cara como Caio Fernando Abreu?
Eu juraria com palavras bonitas que tudo isso é real, que eu não finjo uma dor maior do que a que realmente sinto só pras pessoas prestarem atenção em mim, que cada linha não é nem metade do que eu gostaria de dizer... Mas não dá. Agora o sono bateu, porque o organismo ainda é mais forte que a necessidade de expressão. Eu queria falar mais do bicho que mora dentro de mim, de como eu me sinto mais pesada a cada segundo nesses dias, do quanto eu desejo, ao mesmo tempo, permanecer nesse estado de consciência plena e fugir dele o mais rápido possível. Queria saber traduzir um pouquinho do quanto isso me faz gritar por dentro e sentir o coração sendo apertado por uma mão invisível que só tende a esmagar mais; mas não dá, simplesmente não dá. Tudo o que vier a partir de agora vai ser vago demais. Só espero que as pessoas entendam um pouco da minha vontade de ir pra longe e voltar anos depois, se voltar. Que alguém grite “eu pago a viagem!” quando eu digo que só não fiz isso ainda porque fugir anda meio caro. Nem que seja pra eu chegar lá e perceber que meu lugar é aqui, que foi tudo uma grande besteira de adolescente. Nem que seja pra eu me descobrir infantil no lugar de estranha e singular. Mesmo que isso acabe doendo também.

Terça-feira, 8 de janeiro de 2008, 03h25min

Publicado por Isadora em 3:24 AM
Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

Que.
ou "Adeus, finalmente, ano velho!"

“Não é profecia, não... Mas tenho a impressão de que 2007 vai ser um ano de vitórias.” Escrito no último dia de dois mil e seis, isso foi verdade e também não foi.
Eu queria poder dizer que foi um ano maravilhoso, que eu só colhi frutos bons a partir de tudo o que plantei durante esses doze meses, e que eu espero que 2008 seja igualzinho. Seria engano meu. Não foi um ano fácil pra mim, embora eu não saiba explicar isso sem parecer ridícula ou falsa. Foi um ano de contrastes, de coisas opostas entre si. Fiz milhares de amizades incríveis que hoje fazem parte de mim, descobri pessoas (poucas, mas existentes) que se parecem comigo mais do que eu julgaria possível no mundo, aprendi a ter controle das consequencias dos meus atos, amadureci, me tornei mais forte. Mas é fato que me descobrir como eu fiz, por ou sem querer, não trouxe só coisas boas. Doeu.

É repetitivo, eu sei, já que o feliz ano novo do ano passado dizia a mesma coisa, só que eu preciso repetir que eu sei que eu mudei. Talvez isso não justifique o fato de eu ter abandonado pessoas sem sequer um bom motivo, muito menos que eu tenha me mostrado ingrata ou indiferente ao afeto de alguém. Mas eu não me culpo, se querem saber. Posso parecer egoísta, egocentrista e todos os outros “ego” que as pessoas quiserem me atribuir como característica, mas a verdade é que eu não me julgo por nenhuma das atitudes estranhas aos olhos dos outros que eu tomei. Lamento, é certo, mas não passo horas a fio batendo a cabeça na parede, podem ter certeza.

O tempo passou. Fiz burrada atrás de burrada nesse ano, mas cada uma delas me abriu os olhos pra uma série de realidades que antes eu não enxergava ou via com distorção. Como sempre, isso me trouxe perdas e quedas o tempo todo, mas também força e maturidade. Porque recomeçar é isso, simplesmente. A gente brinda à saúde, ao amor e ao dinheiro à meia noite do dia trinta e um de dezembro, ano após ano, mas no fundo sabemos todos que o que virá não tem nada de pomposo ou perfeito, de forma alguma. A gente pede paz e sabe que vai construir guerra; pede compreensão e perdão, mas sabe que não vai compreender nem perdoar quase nada ou coisa alguma. Promessas de fim de ano são hipócritas, mas isso não significa que não seja bonito fazê-las. Se felicidade são momentos, prometer e sonhar é ser feliz. Mesmo que o sorriso se apague com rapidez depois de dois ou três dias, ou quando as aulas recomeçarem. Mesmo que uma dor de cabeça te dê bom dia no dia primeiro de janeiro.

E é por isso que eu prometo. Prometo crescer, ser mais aberta e sincera com as pessoas e comigo mesma, não engolir mais os no mínimo dois mil e sete sapos que eu deixei passar garganta a dentro no ano que termina; prometo me apaixonar ao menos uma vez, não ter medo, me impôr mais, me entregar. E eu sei muito bem que vai ser um verdadeiro milagre o cumprimento de ao menos uma dessas coisas, mas aprendi que se iludir pode ser renovador, mesmo que a queda seja maior depois. Cair desmorona por fora, mas constrói por dentro, a longo prazo. É, cair constrói. E mesmo que sejam castelos de areia, eu vivo me iludindo, caíndo e, portanto, construíndo. Já não me importo com onde é que vai dar, e isso faz toda diferença do mundo.

Agora eu vou levantar daqui, tomar um bom banho, comer coisas gostosas e ver o anoitecer do último dia do ano, que eu aguardo com a euforia comum das noites estreladas e de lua bonita. Lembrar de coisas chatas, momentos lindos e coisas ridículas que eu fiz. Fechar os olhos e implorar que aquele dia volte por alguns segundos. Sonhar, desejar, pedir e prometer. Me corrigir, me castigar mentalmente, bater nas minhas próprias costas com orgulho de mim mesma por cada vitória, mesmo que tenham sido poucas e efêmeras. Querer ser alguém que eu não sou, tentar mergulhar na televisão no meio de um filme americano aguinha com açúcar cuja protagonista tenha a vida que eu sonhei pra mim. Eu vou levantar daqui e moldar meu futuro pros próximos doze meses, como num roteiro incansável de gente neurótica que planeja tudo. Mesmo sabendo que eu vou jogar isso fora em menos de um mês, vou gostar disso. E quando os foguetes estourarem lá no alto e eu sentir aquela sensação incômoda na garganta, quando uma lágrima pequenininha brotar nos meus olhos e eu suspirar sem querer, vou tentar não me sentir patética por estar aproveitando isso e acreditando num mundo melhor. Quando a meia noite chegar eu vou tentar não ser realista nem fria, diferente do que eu fiz em dois mil e sete. Vou me permitir sonhar, só por hoje, por essa noite. Merecendo ou não.

Obrigada, por fim, a todos que fizeram parte do meu ano, por um longo tempo ou um único minuto. Creio que amigos saibam que o são, já que eu não sou do tipo que deixa pra reconhecer o valor de alguém só na véspera de ano novo. E o que eu desejo pra vocês não chega num texto de blog abandonado. Os meus votos de ano novo vão surgir num abraço, num olhar e em mais um momento compartilhado, ou mais milhares deles.

Que venha 2008, então, com as verdades e mentiras, com as dores e os sorrisos, com a hipocrisia e a sinceridade plena. Que venha a corrupção, que eu me estresse com o governo, me preocupe com o Brasil, tente salvar o mundo e receba deboche no lugar de apôio. Que eu chore por essa dor que é só minha, que ninguém entenda nada, que eu machuque as pessoas e elas me matem de tanta decepção. Mas que eu, acima de tudo, amadureça e tenha sempre fé. Não essa fé em mover montanhas e andar sobre a água, mas sim essa que mora quietinha no meu peito e some às vezes, voltando com toda força a cada linda paisagem e a cada sorriso sincero que eu receba de presente. Que eu tenha em abundância essa certeza louca e insana de que Deus existe mesmo por trás da miséria, da fome e da dor, que Ele se esconde em cada favela e em cada apartamento de Copacabana, que Ele se faz presente do lado do sorriso nojento de políticos corruptos e assassinos incuráveis. E que há uma razão pra todos esses fatores que induzem a humanidade à descrença, à desesperança e à desunião. Que ao menos por um segundo dos milhares que virão, eu reconheça dentro de mim nem que seja só a sombra da otimista irremediável, da criança cheia de graça que outrora eu fui.

Que o ano novo seja cheio de tudo o que eu mais amo nessa vida, além do que eu odeio e se faz necessário. Cheio de livros, por Deus!, pra mim e pra todo ser humano que ainda respire e saiba ler e escrever. Que as pessoas descubram o quanto é doce o poder dessa ferramenta mágica que é a palavra, fazendo disso o impulso pra mudar o que está errado e crescer com razão. Cheio de gênios da literatura, da música, da arte sob todos os aspectos. Os de sempre e os que virão. Cheio de festas, de formaturas, de conclusões e reflexão. Cheio de filosofia, mas não aquela que todos odeiam, não a de Platão ou Kant: repleto de filosofia de vida, a que cada um constrói e encara de um jeito. Cheio de cultura, de Rio Grande do Sul, de Harry Potter e amigos virtuais. Cheio de pizza, de brigadeiro com Coca-cola, de balas de goma pra quem gosta, de fins de semana na praia, de agendas cheias, de monotonia, de correria, de dias vazios e lotados. Que todos nós possamos ver a magia de cada piscar de olhos, de cada amanhecer chuvoso ou de um sol escaldante. Que um mundo de possibilidades se abra à frente de cada ser vivo no planeta nesse ano que está prestes a nascer. E ao som da primeira série de fogos de artifício da noite, do toque desgovernado do piano aqui do meu lado, da música alta lá fora, da voz dos meus tios pela casa e da minha consciência dizendo “segue em frente que é por aí", eu termino com uma das milhares de frases brilhantes de Caio Fernando Abreu, autor que foi certamente uma das maiores descobertas do meu ano (ou melhor, do nosso, né et?), verdadeiro presente:

“Que seja doce” é o meu último desejo.



Beijão,
Isa Cecatto.

Segunda-feira, 31 de dezembro de 2007, 21h31min.

Publicado por Isadora em 9:30 PM
Domingo, Novembro 18, 2007

Um reencontro, sei lá

Tá, já não tem nada de novo no fato de eu ficar um tanto quanto melancólica toda vez que assisto a um filme americano com mensagens melancólicas de amor perfeito. Mas é simplesmente uma grande novidade que eu não consiga escrever ou pensar direito depois de sentir os efeitos que essa prática me traz.

Olha, eu estou ouvindo Way Back Into Love nesse momento, a música tema do filme Letra e Música, aquele com a Drew Barrymore e o carinha engraçado que rebola. E enquanto as risadinhas da pantera ruiva enfeitam os intervalos da música tão perfeitamente harmônica, eu penso em como eu tenho tentado me manter distante desse tipo de assunto, em como eu tenho fugido de tudo o que envolve os meus sentimentos a respeito das pessoas e dos romances americanos. Logo eu que era tão sensível, que dedicava meu tempo a escrever melancolias num outro blog sobre um amor não correspondido, eu que sofria por meus amigos, que tinha um sorriso doce e um olhar meigo pra dar à pessoa mais mal humorada que por mim passasse, logo pela manhã. E agora eu digito essas coisas aqui, sem o menor fundo poético intencional, sendo levada apenas pela vontade de aproveitar esse raro momento em que eu tenho paciência e tempo pra estar aqui, me sentindo de um jeito que eu nunca imaginei possível. Me sentindo fria.

Não sei o que isso significa, não sei mesmo. E continuo agindo como se estivesse coberta por um manto de futilidade enquanto escarro palavras nessa caixinha de texto branco, mas não quero pensar nisso pra não acabar travando, fechando o computador com força e saíndo da cama. Eu quero falar, finalmente. Não me interessa o que vai parecer ou o que eu estou me tornando enquanto faço isso. Ninguém vai ser capaz de entender, eu sei, e foda-se.

Sabe, eu passei a minha vida inteira atuando no papel da mocinha conformada de bom coração, que mesmo loucamente apaixonada por um cara não faz nada se houver uma amiga na mesma situação pela mesma pessoa, que não pisa nos outros, que não reclama do que quer que seja. E isso me matou por dentro, por muito tempo. Me fez arfar de tanto cansaço diante da percepção dura de que eu estava vivendo pros outros, de que eu não cuidei de mim por todos esses anos, mesmo que eu sequer tenha mais de quinze. Quinze, poxa. Eu tenho quinze anos e nunca vivi uma grande e eufórica história de amor, nunca fiz planos de vingança contra ninguém, nunca bati pé pra ganhar alguma coisa dos meus pais, nunca fui a uma festa escondida - aliás, eu costumo fugir das festas, às vezes -, nunca fiz nada que uma adolescente comum faz o tempo todo. Eu sempre fui dos livros, das músicas lentas, dos contos de fada e do curtirofimdesemanacomostioseprimosquestãoaqui. Sempre fui aquela que dizia "tudo bem" pra não piorar as coisas, que não acatava uma briga. Essa que assiste a um musical como Moulin Rouge ou um romance clichê como Um Amor Para Recordar e passa a noite inteira suspirando por entre frases escritas num papel molhado de lágrimas quietinhas. E adivinha? Eu comecei a sentir raiva de ser essa pessoa sensível e espiritualista, raiva de ver que as pessoas pouco ligavam pra isso, que os peitos grandes e o olhar malicioso tinham mais espaço na mente dos garotos do que uma boa conversa e um sorriso sincero, sem futilidades. Uma raiva sem medida.

Tá aí a receita, a raiva me fez isso: uma Isadora de quinze anos que age como se já tivesse vivido oitenta e por isso soubesse que é melhor não se apaixonar, não se entregar, não falar de festas e não acreditar no amor. É isso que eu sou.
Haha, será?
Olha, eu até já achava que sim. Mas quer saber? Não sei se foi Letra e Música, se é o refrão "all I wanna do is find the way back into love" rodando agora ou o que, mas eu acabo de perceber que não mudei porcaria nenhuma. Não tem nada de diferente aqui dentro, nada de frio, nada de insensível ou racional. Ainda sou a mesma Isa irritantemente compreensiva, sensível e insegura que eu sempre fui. Aquela que espera, sim, pelo garoto perfeito que vai ligar pro que ela tem de melhor, que quer alguém pra segurar sua mão quando essas crises irritantes tomam conta do coração, que sonha, sonha, sonha e sonha. Que tem medo de dizer tudo isso escrito aqui. A frieza é uma máscara mal posicionada que vez ou outra cai, como hoje. Uma forma que eu encontrei pra me proteger de uma dor cruel, sem perceber que ela na verdade vinha de dentro.

Agora só preciso decidir se eu fico feliz com essa descoberta ou se eu julgo isso um fracasso que vai me afundar mais e mais nessa dor. Não é fácil ser fraca e se sentir diferente, mas também não dá pra viver a vida inteira com uma segurança que não é minha, com um olhar seco e frio que nunca vai condizer com aquilo que transborda no meu peito. Só preciso decidir o que isso significa.

Mas eu faço isso amanhã, ou depois, ou depois mais. Agora eu quero deitar nessa cama ao lado desse livro que tá no meu travesseiro, pra passar um tempo comigo mesma. Me perdi de mim, sabe?
Fazia tempo que eu não me encontrava assim. E só pra não perder o costume: isso me parece fútil e clichê de se dizer. Tudo isso.
A diferença é que agora eu não ligo. A diferença é que eu quero pensar não no que as pessoas que lerem vão achar do que eu sinto, mas sim no que eu sinto. E isso é tão forte pra mim.



Domingo, 18 de novembro de 2007, 1h29min.

Publicado por Isadora em 1:28 AM
Sábado, Setembro 08, 2007

Setedoquê?

Sete do quê?
Ah, sim. Sete de setembro, feriado nacional.
Dia em que o cara chamado Dom Pedro chegou à margem do rio Ipiranga, gritou uma frase que ficou famosa até os dias atuais e declarou, finalmente, a "independência" do Brasil (o motivo das aspas? cai na real).
Não que eu tenha precisado ir ao Google pra descobrir tudo isso e vir aqui postar, mas é fato que eu passei o dia com um sorriso enorme estampado no rosto por conta do feriado e só me dei conta do quê exatamente se comemora hoje quando sentei em frente ao computador e pensei num assunto sobre o qual falar em um post, pra fingir que eu ainda me interesso de verdade pelo blog.

Fico me perguntando se algum único brasileiro nesse dia cantou o hino nacional por vontade própria, ou mesmo se alguém viu a cor da bandeira do país sem ser obrigada pelo diretor do colégio em que estuda, nessa semana. Eu é que não.

O que eu quero dizer com isso?
Veja bem. Meu nome é Isadora, tenho quinze anos e sou nascida no Brasil. Passei a vida inteira cantando o hino do meu país na escola, aprendi que é preciso deixar os braços esticados ao longo do corpo, que não se pode rir, que quando o hino está tocando não é hora de trocar figurinhas do Pokémon com o coleguinha do lado, que não se bate palmas no final, que a gente tem que ter respeito, que é pra olhar pra bandeira, que blablablablabla. Acontece que esqueceram de me dar um motivo pra não me sentir ridícula fazendo isso tudo.
Não estou dizendo que tudo isso seja uma questão de desesperança com relação às minhas expectativas de melhoria no lugar onde eu vivo, ao passo que isso seria hipocrisia da minha parte. Sei muito bem que não tem nada a ver com a merda da corrupção, com a desigualdade social ou coisa que o valha. O fato de ninguém estufar o peito nem enxer a boca pra falar do Brasil nada tem a ver com vergonha, tampouco com desesperança. É uma questão de alienação. Nooooovidade que isso parece babaquice da minha parte, e mais novidade ainda que eu me sinto ridícula argumentando coisas do tipo. Acontece que, se é que eu não ando neurótica demais, a alienação e a futilidade estão dominando o mundo.

O que eu quero dizer com isso (não é deja vu, você acaba de ler isso no parágrafo de cima.)?
As pessoas em geral - o que milagrosamente me inclui - não estão interessadas no que foi dito há anos por um cara que nem vivo está. O que importa é que feriado é dia de acordar tarde, de não ter aulas e fazer o que bem entender. Foda-se o fato de isso ser algo marcante, de ter feito diferença, de sete de setembro de 1822 ter sido um dia importante.
E quer saber? Meio que mudando o rumo do que eu dizia, gostaria de questionar: foi realmente um dia importante?

Talvez eu tenha uma visão pessimista demais de como as coisas têm acontecido por aqui, mas é preciso dizer que acho irônico associar a palavra independência à palavra Brasil.
Pode até ser que não sejamos mais colônia de Portugal e tudo o mais. Mas o que exatamente isso significa?
No sentido literal - que sempre é inválido, diga-se de passagem -, dizer que o Brasil é um país independente significaria falar que o país é dono de sua própria economia e que não existe outro tomando as rédeas de qualquer coisa que pertença ao povo brasileiro. Aé?

Alguém então me responde, por favor, se escolheu o destino alterado do dinheiro dos impostos que pagou? Alguém aí concorda com a distribuição de renda do país em que vive? Todos leram as leis que obedecem todos os dias antes que elas fossem aprovadas, tendo o direito de decidir se isso seria posto em prática ou não? Será que isso é independência?
Pois pra mim, ao menos pra mim, independência não combina com a idéia de um grupo minoritário que toma decisões com as quais eu discordo, em meu nome. No meu modo de enxergar as coisas, ser independente não é se sujeitar a vendar os olhos diante da sujeira explícita de um governo corrupto que visa o lucro pessoal e transforma o Brasil, esse país que na teoria é de todos, numa baderna sem fim.
Somos dependentes, não me resta dúvida. Dependentes do que esse pequeno grupo quiser fazer, das peças que ele quiser mover, das mudanças que ele aplicar no país por motivos que muitas vezes desconhecemos. Nossa economia, nossa liberdade e até mesmo nossa forma de reagir às situações que nos são impostas, não têm nada de independentes.

Por fim, só posso dizer que essa sexta-feira, sete de setembro de 2007, significou apenas um dia feliz, sem provas nem poucas horas de sono. O verdadeiro sentido desse feriado nacional é uma piada pra mim. Uma piada sem graça. Humor negro.

Independência ou morte!
Morte, meu caro Dom Pedro. Morte.

Sete do quê?
De comer brigadeiro e ver um filme qualquer com uma amiga. Um filme americano, é claro.

Sábado, 8 de setembro de 2007, 01h26min

Publicado por Isadora em 1:27 AM
Quarta-feira, Agosto 22, 2007

Um retorno idiota


Bem, aqui estou eu de volta depois de um bom tempo.
Havia pensado em um post especial sobre o meu aniversário de quinze anos, outro sobre a minha viagem de aniversário à Disney, em julho... Mas sabem como é, o tempo é curto. Certo, o tempo de uma adolescente sem atividades extra-curriculares no momento não pode ser curto, eu sei disso. Mas é fato que eu sou a pessoa mais desorganizada que o mundo já viu - ou nunca sequer olhou, mas isso é assunto pra um momento mais melancólico-, o que faz com que meu tempo livre se resuma em inutilidades e atividades não finalizadas.
Então eu resolvi só digitar o login e a senha no Blogger pra ver se o branco dessa caixinha de texto vazia me inspirava, mas a antiga mágica continua falhando.
Falar do quê, afinal? De como eu ando ainda mais autista? Da minha atividade voluntária na Semana das Profissões do colégio? Da viagem perfeita? Dos meus ataques de eusoudiferentenãometoquenãofalecomigomedeixaviverminhasingularidadeempaz? Do fim de Harry Potter? Nada disso serve hoje.

Como são onze e quinze, meu sono está bastante atrasado e eu estou no meio de uma crise de identidade durante esse post, eu preciso ir dormir.
Só pra finalizar, gostaria de dizer (e essa droga está parecendo carta ao presidente ou coisa que o valha) à única pessoa que leu meu último post sobre aquele monte de sentimentos confusos, que eu sinto uma vontade imensa de entrar em contato mais direto com ela. Mas como isso possivelmente estragaria tudo, da compreensão à emoção disso tudo - fútil, fútil, fútil -, acho melhor você continuar com as reticências e eu com minha ansiedade. Tá, na verdade eu não acho. Mas o que posso fazer se tenho essa mania doentia de pseudotudo (não era pra ninguém entender)?

Nada de genialidades ou discussões brilhantes por hoje. Acho que não sirvo mais pra isso tudo.

Quarta-feira, 22 de agosto de 2007, 23h19min.

Publicado por Isadora em 11:20 PM
Sábado, Junho 30, 2007

Uma mistura de assuntos sem sentido, pra literalmente variar
No fundo eu sequer sei o que isso tudo significa. Não faço a menor idéia do que é que me leva ao desespero quando vejo um filme feito A Walk to Remember, nem mesmo onde terminam e onde começam as lágrimas. E por Deus, como isso soa fútil pra mim.
Bem, talvez isso signifique que eu estou a um passo de viver uma vida de adolescente normal, sem filosofia, sem racionamento de água, sem poesias e sem cartas ao presidente. É isso que elas fazem, as garotas normais, não é? Choram vendo um romance desses que só acontecem em filmes e fingem ser sensíveis, esquecendo por alguns segundos - poucos, mas existentes - que chorar pode borrar a maquiagem.
Impossível. Não é a garota de maquiagem e sorriso perfeito que eu vejo agora. E por Deus, como isso soa forçado e clichê.

Não é uma questão de estar ou não mudando minha forma de ver as coisas. É puramente pessoal a dor agonizante que vem junto dos soluços quando eu revejo pela nonagésima vez - ou algo próximo disso - a história de Jamie Sullivan e Landon Carter. E eu continuo sem saber como explicar ao certo que sentimento é esse, o que é assustador e novo pra mim.
Se torna um costume: você vê alguma coisa tocante ou indignante, senta na frente do computador, enxerga essa caixa de texto em branco e escarra palavras com facilidade desigual. É cômodo é prático, coisa que alguns chamam de dom e outros consideram inutilidade. Independente do que possa ser, quando é pra falar dos tais filmes eu travo e isso me deixa abismada.
Talvez eu não tenha uma noção exata do que é o amor e de como é senti-lo. Não só por eu jamais ter amado de verdade e nunca ter sentido esse sentimento sobre mim vindo de outra pessoa - um eufemismo para o deprimente "nunca fui amada", porquê isso parece frase de uma tia solteira -, como também, acredito, pelo simples fato de eu esperar do sentimento uma coisa inexistente. E dói perceber que sou a única a ver o amor dessa forma.
Como a maioria das pessoas, almejo amores e pessoas perfeitas na minha vida. Mas andei pensando sobre isso hoje, e confesso que minhas conclusões me deixaram ainda mais sem chão. Parece que pra mim, se existisse um amor perfeito, eu não saberia lidar com ele. Ele seria insuficiente, afinal, porquê eu não consigo imaginar que exista alguém no mundo com capacidade pra entender meus sentimentos e a forma como eu penso a respeito de tudo nessa vida. Esse amor significaria, ao mesmo tempo, a felicidade de realizar um desejo íntimo e a surpresa dolorosa de perceber que ele não me serve. Como eu poderia compartilhar do que eu sinto quando olho as estrelas se qualquer palavra a respeito já foi banalizada e transformada em sentimentalismo idiota? De que maneira seria possível que eu fosse eu mesma se sequer sei quem diabos está digitando esse monte de coisas sem nexo? E por quê droga de motivo eu me sinto ridícula ao extremo escrevendo tudo isso? Porquê falar de amor, de compreensão (ou falta de) e de estrelas só cabe aos tolos, no conceito do mundo inteiro.

E eu escrevi, escrevi, escrevi e, pela primeira vez em toda a minha vida, não transmiti sequer um pouco do significado desse nó entalado na garganta. Desconheço o motivo pelo qual isso vai ser postado, mas o fato é que eu preciso da ilusão de que alguém, seja num dia distante ou amanhã mesmo, vai ler tudo isso e dizer que se sente como eu ou, no mínimo, que entendeu tudo o que eu quis dizer. Sempre aparecem desses, é claro, mas não falo daqueles que fingem saber do que eu estou falando. Falo da merda do príncipe, da fada madrinha, do Landon Carter ou de qualquer personagem fictício que nunca vai se tornar real e que mais nunca ainda vai entender alguém como eu. Porquê Jamies Sullivans vivendo um grande amor são apenas uma Mandy Moore vestindo suéter. E eu tenho muito mais pra falar, mas são quase três horas da manhã e eu não sei como fazer isso. Fico com as lágrimas e o travesseiro, por mais idiota, forçado, fútil ou clichê que isso possa parecer.

"O amor é como o vento: não posso ver, mas posso sentir".
Ok, Mandy Sullivan - ou seria Jamie Moore? -, e o que a Warner vai mandar você dizer pra agradar aos que não podem ver nem sentir?

Sábado, 30 de junho de 2007, 02h24min.

Publicado por Isadora em 2:48 AM
Terça-feira, Maio 15, 2007

"Admirável Mundo Novo"
Por Isadora Cecatto

Andei pensando sobre um assunto, em antítese, extremamente velho e atual: defender causas.
Estava eu absorta em uma conversa trivial com uma conhecida minha dias atrás, quando o tema me veio à mente. O grosso casaco que ela usava para se proteger do frio estava fechado quase até o pescoço e, num momento de distração descontraída, ela abriu e fechou o zíper rapidamente, deixando à mostra por poucos segundos o desenho abstrato de um rosto que reconheci em sua camiseta. "É Che Guevara?", perguntei. E fui pega de surpresa quando ela, abrindo de novo o casaco - o que me confirmou que era ele -, observou a imagem por alguns instantes, displicente, e respondeu: "Deve ser".

Bem, deve ser. Se eu fosse uma alienada qualquer, dessas que encontramos com aliança de namoro no dedo por aí - apenas uma breve referência à minha atual situação amorosa, bastante desiludida -, talvez até tivesse aberto um sorriso e confirmado a informação, continuando a conversa em seguida. Mas não. A resposta dela me rendeu um dia inteiro, se não mais, de reflexões e reformulações de conceitos. O que exatamente pode ser definido como a defesa de uma causa em pleno século XXI? Não que eu seja a dona da razão e tome sempre cuidado com as diversas formas de expressão de opinião - intencionais ou não - a que sou exposta diariamente. Afinal, questionei a mim mesma naquele instante e isso fez todo sentido.

Não julgo a dita cuja por não saber quem foi ou o que significa a imagem de Che Guevara, tampouco por não reconhecer seu rosto onde quer que seja. Apenas absorvi um fato de alarmantes conclusões pessoais: ela tinha no corpo a imagem de um dos mais famosos revolucionários marxistas da história... mas não teve intenção de nada além de se vestir, com isso.
Não me surpreenderia se ela não soubesse nada a respeito do cara estampado em seu peito e não ficaria nem um pouco admirada caso ela me dissesse que nunca ouviu falar de uma motocicleta chamada La Poderosa II. Percebi, embora não sem algum pesar, que nos dias de hoje os jovens (e até mesmo as pessoas em geral) já não usam de artifício algum para protestar o que quer que seja. Não há revoltas públicas freqüentes, não se vê patriotismo, idealismo, nem mesmo sonhos. Deus, os sonhos! Aqueles que, em outras décadas, fizeram do jovem cidadão o protagonista das grandes revoluções contra os problemas do mundo. Os sonhos, meus caros, por um mundo, uma sociedade, um sistema melhor. Ninguém mais luta, e quem parece fazê-lo sequer tem consciência de sua atitude.
É irônico, na verdade. A garota vestia um símbolo do socialismo e calçava um Nike.

Fico pensando se essa falta de desconcerto público deriva de uma melhoria na situação geral. Não, não pode ser isso. Em um mundo onde ainda se tem corrupção, violência, preconceitos e desigualdade social, a acomodação quase unânime não pode ser justificada por progresso e evolução. Onde está a alma inteligente dos que participaram do famoso impeachment de Collor? Será que não temos nada mais com que discordar? Não é preciso ir muito além para perceber que temos, sim. Por que diabos, então, os gritos de jovens insatisfeitos e com desejo de mudança foram substituídos, de uma hora para outra, por cruzar os braços, ligar o Ipod e passar o dia no Orkut? Não que eu não o faça vez ou outra. Não estou dizendo que eu sou uma espécie rara nesse rio de futilidades. Mas é duro perceber dia após dia que, no mundo em que eu vivo, ter senso crítico e consciência elevados é sinônimo de algo inútil ou, o que é pior, inexistente.

Pode até ser verdade que o socialismo seja inaplicável, e eu até concordo que muitos dos ideais dos antigos jovens cidadãos que tanto citei sejam de certa forma utópicos. Mas isso justifica a ausência de revolta no que diz respeito ao inaceitável? Àquilo que poderíamos, sim, acabar mudando, como aconteceu algumas vezes, embora raras? No meu recente conceito, não.

E agora? Agora eu já não sei se pergunto às pessoas em qual loja caríssima elas compraram aquela saia comprida ou se arrisco supôr que aquilo seja um grupo de hippies de verdade, saído de algum livro de história antigo. Aliás, é assim que eles vão acabar: os jovens do impeachment, o Che Guevara, Sócrates e todos os outros que fizeram a diferença e lutaram contra o "perfeito sistema". Todos apenas personagens de livros antigos e empoeirados, em poucos anos proibidos e desconhecidos. O Brave New World. Sem Bernard Marx, é claro.

Terça-feira, 15 de maio de 2005, 00h40min.

Publicado por Isadora em 12:41 AM
Segunda-feira, Abril 30, 2007

Pés no chão

E eu fico sentada no meio de pessoas normais como se também o fosse, fingindo que tenho uma vida tão comum quanto a que eles possuem.
Fantasiando histórias de amor, sonhando com contos de fada e desejando ser uma princesa bela, com uma história pra contar. Mas meus príncipes, quando existem, viram sapos, mais cedo ou mais tarde. Eu não vivo em um reino florido, meus pais não são rei e rainha e a bruxa má é apenas o próprio mundo inteiro. A vida não é um filme americano, não existe "felizes para sempre" e os momentos especiais, que são poucos, não possuem trilha sonora, nem a certeza de um sol brilhante, nem flores, nem beijos apaixonados, nem fidelidade e amor eterno.

Escrito na manhã do dia 13 de abril de 2007, sexta-feira.

Publicado por Isadora em 10:10 PM
Sexta-feira, Março 09, 2007

Não, eu não passei no Tudo de Blog. Não que eu esteja feliz por isso, mas já não é uma questão de vida ou morte como seria um dia. E eu não quero falar sobre isso. Não simplesmente pelo fato de ter perdido alguma coisa, mas porque tenho vontade de falar de outros assuntos.

Minha inspiração pra posts e qualquer outra coisa que seja têm vindo em horas realmente inoportunas. Eu, que sou uma aberração da natureza com relação à Matemática e tenho que prestar o máximo de atenção às aulas, recebo idéias geniais bem no meio das explicações do meu professor. Ainda que fosse durante o início da aula, quando ele começa a comentar sobre seu vício (Big Brother Brasil), tudo bem. Mas não. É durante aquelas horas complicadas da matéria.
E agora que é sexta-feira, eu não tenho nada de muito sério pra fazer e sinto os dedos coçando de vontade de falar alguma coisa por aqui, releio o que escrevi e só vejo um monte de lixo.

Quem sabe seja a hora de parar com essa mania de falar dos meus sentimentos em um lugar público. Ou quem sabe seja melhor eu abandonar isso aqui pra sempre, dormir o sono da verdade pra nunca mais acordar no meio de tantas mentiras. Ou talvez eu deva simplesmente descansar um pouco e voltar mais tarde.
O fato é que hoje eu não estou bem . E isso me assusta. Geralmente, eram essas as horas em que eu sentava na frente do computador e, de uma vez só, jogava palavras e escrevia as coisas mais interessantes que as pessoas julgavam ter lido. Mas não. Eu mudei nesses últimos tempos, o clima mudou, minha inspiração mudou e, embora eu não queira acreditar que isso seja verdade, meus dons podem ter mudado. Não, não podem . Tudo o que está acontecendo é que é hora de dormir um pouco. Eu sei que é sexta-feira... mas isso também parece ter mudado.

Publicado por Isadora em 8:50 PM